sábado, 18 de janeiro de 2014
Sorrir hoje
Hoje li uma frase, assim:
- e você não sabe quantos sorrisos já dei só de pensar em você...
De Caio Fernando Abreu
Gostei demais, por ser real, simples, porque eu gostaria que fosse minha.
Quem não sorriu levemente, mesmo estando só, ao se lembrar de um carinho, uma fala, uma brincadeira?
Quem não?
Ao abrir uma caixa de fotos, um caderno de anotações, um velho bloco de receitas?
Mesmo que a lembrança seja acompanhada de saudade, de nostalgia, o sorriso leve aflora nos lábios, gosto de lembrar.
Dia desses li um artigo, acho que no facebook, falando que vivemos de saudade quando o certo seria nem olhar par trás, colocar todas as energias no futuro, virar as páginas ou então, melhor, queimá-las.
Deve ser simples quando se é jovem, poucas páginas esçritas, muitas ainda em branco.
Mas hoje, diante desse livro enorme e lindo, todo recheado de clipes com recadinhos, flores secas, fotos esmaecidas, e desenhos imprecisos feitos por mãozinhas tão amadas, eu pergunto:
- como queimar, esquecer, e olhar apenas para a frente?
Se o que vejo lá na frente é apenas o reflexo de tudo o que já deixei passar...
Uma frase bem colocada e muitas lembranças que afloram sorrisos, suspiram as almas, doces tempos.
Proponho sim pular páginas, de dores e mágoas, mas nunca destruí-las. Estaremos ali sempre, tatuados, quer aceitemos ou não. Melhor sorrir levemente...
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Verão é melhor
Vocês devem estar achando linda essa foto. Também acho.
Usei para testar se consigo postar com imagens, consegui essa!
Pois bem, essa foto eu salvei outro dia porque me encantou, e pensei:
Um dia uso em uma postagem...
Agora está aqui, é a hora, e não sei o que dizer, não me preparei para o texto.
Gostaria de ter uma janela assim, com comidinha para os pássaros no inverno, neve lá fora...
Mas eu detesto frio, e essa coisa de neve pode ser muito romântica na terra dos outros, nos calendários das lojas, nos cartões de Natal.
Mas aqui, o frio castiga demais, dói, e minhas dores musculares, nervosas e etc, me colocam a nocaute.
O sol, por mais que castigue, sempre é um consolo para ossos velhos, nervos cansados, músculos doentes.
Amo uma caminhada na praia, sob o sol, chutando areia e pisando na marola.
Detesto cobertores e bolsa de água quente nos pés, camadas de roupas, medo do chuveiro, ruas com vento encanado, sopa quente, pantufas.
Adoro cerveja gelada, salada, sorvete de nata, raspadinha, laranjada com gelo.
Então, consegui escrever algumas linhas, aproveitando a foto, linda aliás, acima.
Que o inverno demore a chegar, que o verão com suas delícias fique o suficiente para nos acalentar e alegrar com suas cores alegres e seus dias luminosos.
Beijos meus com cheiro de sol!
domingo, 24 de novembro de 2013
Glorinha
Glorinha está assim, tosada por conta do calor, ainda com lindos olhos verdes, e uma disposição enorme para brincadeiras.
Come rodapés de madeira, faz xixi onde eu não quero que faça, corre durante a noite pelo apartamento e me acorda com suas patinhas escorregando pelo chão.
Adora brincar com as crianças, e pensa que é gente.
Ela realmente acredita que é gente.
Nem sei se um dia vou conseguir a grande alegria de vê-la fazer seu xixi apenas na lavanderia, onde eu tento ensinar. Fico nervosa, brigo, não brigo, prendo na lavanderia, solto, levo o jornal com cheirinho dela lá para perto do tanque, volto com ele para perto da máquina de lavar, desisto, tento novamente...
Ela só fica assistindo essa minha coreografia estranha e provavelmente me achando ridícula...
Quando bem entende me dá um momento de alegria e vai até o jornal.
Mas que eu não me iluda, a próxima xixada será na porta da sala kkkkkkkkk
Eu rio para não chorar!
Ainda não aprendi a postar fotos. Pensei que tinha entendido, mas não, portanto me perdoem. A muito custo coloquei essas duas, tenho mais, mas já estou acreditando que o problema sou eu.
Tanto com Glorinha como com esse meu novo brinquedo, sou uma decepção, não sei lidar, me irrito, não consigo dominar.
Vou aprender mais um tanto e depois dou mais notícias.
Por enquanto fiquem os olhos verdes dessa criatura que chegou, dominou, e nos encanta a cada dia com sua alegria e carinho. Beijos para vocês, saudades.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Um dia de chuva
Faça de conta que andei viajando, uma viagem de três meses!
Andei visitando algumas blogueiras, quando possível, deixando recadinhos, tentando aplacar a saudade.
Andei doente, física e emocionalmente, mas sarei, estou completa, como aquela flor de Clarice Lispector, que se deixa podar para voltar inteira na primavera...
E então decido voltar em um dia de chuva, de gripe, de molho...
Peço desculpas a todos que vieram até aqui, procuraram nova postarem, deixaram recadinhos carinhosos (não mereço).
Bom, por aqui quase nada mudou. Nenhuma criança nasceu, e em compensação, ninguém morreu!
Continuo morando aqui, mas comprei um Ipad! Estou aqui brigando com ele, aceitando suas inúmeras novidades (tão diferente do meu dinossauro), me encantando com a facilidade que ele oferece.
Meus filhos estão bem, meus netos crescendo, minha cachorrinha (a Glorinha) aqui em volta, olhando para mim com seus olhos verdes, um encanto!
Estou enferrujada, querendo escrever muito, mas não sabendo o que.
Por enquanto deixo meu carinho, meu beijo, minha saudade.
Nesse dia de chuva me lembrei de vocês, senti saudade, percebi que tenho sido egoísta ao me privar dessa amizade tão gostosa.
Ainda não entendi como postar foto no blog, estou tentando faz um tempão (antes do jornal nacional kkkkk) e ainda não consegui. Mas eu vou aprender, para mostrar a vocês as crianças, a Glorinha, a minha vida.
Fiquem com meu carinho por enquanto. Até...
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Ao Rei!
Minha neta, Lara, de 4 anos, descobriu Elvis Presley.
A outra neta, Valentina, de 7 anos, é apaixonada por Elvis já faz um tempo, e contaminou a pequena prima.
Desde o mês passado, quando fomos a um show de Elvis Cover, aqui em Campinas, que Lara pede constantemente para eu colocar o DVD que tenho dele. Um show no Hawaii, 1973!
Minha filha mãe da Valentina, só dirige ouvindo Elvis no carro, porque a menina não quer outra musica rsrsrs
Confesso que adoro, sou fã desde a adolescencia, mas é estranho notar que as meninas gostam também.
Hoje Lara saiu-me com essa pérola enquanto assistia o show (de manhã ...)
- Vovó, porque ele tinha que morrer? ele é tão lindo!
Expliquei que infelizmente não controlamos isso, que papai do céu chamou, porque ele era muito bonito e cantava muito bem, então, precisavam dele para alegrar os anjos lá em cima.
Passados alguns minutos ela foi até à cozinha:
- Vovó, se eu rezar muito ele vive de novo?
E eu pensei... ai ai ai, se fosse assim eu viveria rezando (todos nós aliás!).
- Reza querida, reza muito!
Passados alguns minutos, ela volta:
- Vovó, acho que não vai voltar, porque eu rezo muito para o Biriba voltar e ele não vem...(Biriba é nosso cachorro que morreu em fevereiro).
Primeira decepção, primeira tentativa de resolver da melhor maneira possivel uma falta...
Primeiro entendimento de que as coisas não são tão fáceis.
Tenho pena, porque as crianças terão que conviver com muitas outras ausências, decepções, desencantos.
Mas em compensação, quantas aventuras deliciosas, quantas alegrias, quantos deslumbramentos para os olhos, as mãos, o coração!
No "frigir dos ovos" uma vida tem de tudo isso, e as crianças precisam aprender a seu tempo, sem pressa...
Hoje bastam aqueles olhinhos alegres, apaixonados, um corpinho tão pequeno, dançando ao som de uma doce voz, linda voz.
Essa voz apagou-se fazem 36 anos, em 16 de agôsto.
Fica aqui minha simples homenagem ao Rei, inesquecível, e incomparável.
E não há, para mim, maneira mais linda de homenagea-lo senão vendo minhas netas cantando suas músicas e achando-o "lindo"!
São realmente minhas netas essas duas ...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Passando a mão . . .
Hoje uma passarinha barulhenta enviou-me por e-mail uma frase que adorei!
A tal beija-flor é a Tina (meu blog e eu) e a frase é a seguinte:
"se um dia a vida te der as costas, passe a mão na bunda dela".
Genial! nunca me ocorreu isso, passar a mão na bunda dela, fiquei intrigada, pensando, como se faz?
Onde é a bunda da vida?
Agora já sei, depois de matutar, que devemos aproveitar qualquer situação para fazer uma brincadeira, para aproveitar o melhor que a vida nos dá.
Passar a mão na bunda da vida quer dizer que não devemos leva-la a sério, ao contrário, podemos tirar uma "casquinha" quando ela nos dá as costas, nos oprime e mostra seu mau humor.
Desafio qualquer mulher que leia essa postagem a negar que uma vez ao menos levou uma passada de mão de seu companheiro, quando virava-se de costas, brava por qualquer motivo. Duvido!
Muita bobagem, mas também muita verdade, podemos filosofar até quando o assunto é bunda.
Se a vida lhe der as costas, tente brincar, veja que sempre tem um lado bom, seja otimista e use seu carisma para reverter o mau humor: "passe a mão na bunda dela"!
Conte-me se não é genial...
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Folha de amora
Os olhos eram de uma cor verde, como a folha de amora, mas ainda novinha.
Sabe como é? como a folha da cana de açúcar, mas ainda pequenina, brotando.
Nunca vi um verde como aquele, em um olhar...eu nunca mais vi.
O cabelo tinha a cor da folha no outono, já queimada pelo sol.
A mesma folha da amora, mas já esturricada, querendo cair pro chão...
Aquela cor da folha da cana de açucar, mas depois de queimada, avermelhada.
A pele, veja só que interessante, era clara, mas pintadinha.
Já viu uma folha de laranjeira quando se cobre de ferrugem?
Então, assim eram as suas sardas, esparramadas pelo rosto, ombros, colo.
E do sorriso, o que digo? ah! era lindo e aberto, seguido de um rubor,
uma timidez mal contida, uma lágrima como que para refrescar a face.
Um sorriso puro, sem malicia, de moça simples sabendo que era bonita.
E depois desse sorriso, com o rosto brilhando alegria
os olhos eram dois lagos, mais verdes agora lavados
mais explêndidos agora felizes...
Foi assim que ele conheceu aquela moça bonita
E nesses lagos doces mergulhou, e amou...
E foi assim que se fizeram mãe e pai dessa mulher que hoje sobre ela lhes falou...
Uma simples homenagem à Dona Alzira.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
olha como estou linda!
Fala sério, pensaram que fosse eu?
Não, quem está linda é a Glorinha, e voces podem conferir pelas fotos:
está uma delicia, não é?
Bom pessoal, tenho acompanhado atentamente os movimentos nas ruas, as manifestações e cobranças. Fico preocupada com a violência e o desatino desses bandidos que só querem aproveitar a oportunidade para saquear e destruir.
Mas . . .
Estou tão orgulhosa desses jovens que levantam cartazes, balançam bandeiras, pintam o rosto.
Isso é tão lindo, pensei que morreria sem ver isso nas ruas de meu país.
Que tenham o discernimento de perceber a hora de falar, gritar e cantar. Mas que também saibam a hora certa de calar e voltar para casa, íntegros e em segurança.
Rezo por eles, eu que vivi a ditadura e o horror daquelas passeatas da época da revolução. Muitos jovens morreram, e sei que a grande maioria nem sabia porque estava protestando.
É glorioso ver essas bandeiras e esses rostos pintados clamando por justiça e melhoria de condições de vida.
Mas é muito triste perceber que para uma significativa parcela, tudo não passa de farra e desordem.
Oxalá valha a pena! Precisamos mesmo de muitas reformas, e alguém tinha que dar o primeiro passo.
E é aí que sinto orgulho de meu povo, de meus jovens inteligentes e lúcidos.
Vai Brasil, mostra sua cara pintada! E que essa luta não seja em vão!
Ah!!! como queria ter vinte anos novamente !
terça-feira, 11 de junho de 2013
Sitio São Joaquim
Ele a surpreende aos prantos, dobrando roupas, organizando malas.
Sorri com carinho, pois sabe e respeita os motivos que a levam a chorar.
- até quando vai esse chororô?
e ela:
- me deixa chorar, voce sabe que dentro de alguns dias já passou...
Continua a dobrar as roupas. As limpas são colocadas na mala, algumas já usadas são postas em um saco para serem lavadas.
As roupas que as crianças despiram antes do banho também são colocadas no saco. Ela sabe que ao deposita-las no tanque, já em casa, vai sentir o cheiro do barro, a textura da terra, e ficará com saudade.
Os cobertores ficam, dobrados sobre as camas, aguardando o momento alegre e gostoso de aquecer novamente esses corpos pequenos e cansados. E também os corpos adultos nas noites geladas de Ibiuna.
Um olhar para a geladeira já limpa, desligada, num canto da cozinha. Está em compasso de espera pela nova remessa de frutas, legumes e carnes, que chegarão em meio a um turbilhão de vozes e sorrisos de crianças famintas e com sede.
O fogão a lenha, esfriando suas brasas, derradeiras brasas nessa temporada de férias, sabe que ficará gelado por um período, esperando que sua dona chegue e o abençõe com muito calor e perfumes deliciosos. Ele merece dela um afago, um passar de dedos, um sorriso.
O marido fala alto, lá de fora:
-Vamos, as crianças já estão no carro, as tralhas também...vamos pegar muito trânsito se atrasarmos!
Era tudo tão óbvio, tão igual, sempre o mesmo ritual, quase sempre as mesmas palavras.
- vou a pé até a porteira, assim fecho o cadeado...
Ia andando, devagar atrás do carro, dizendo adeus àquele espaço tão querido. Acenando para a imensa paineira que havia plantado tão pequena. Ao entrar no carro, o marido ria e repetia:
- até onde vai esse chororô?
Ela nem respondia, só olhava pelo espelho a sua porteira sumindo na estrada poeirenta, uma imagem embaçada pelas lágrimas.
Hoje a saudade veio me visitar, compartilhei com vocês!
terça-feira, 4 de junho de 2013
Festa Junina, quem gosta?
Eita sô...
Mês de junho é meio nostálgico, não acha?
Conheci uma garota que sempre gostou de festas juninas. Aliás ela adorava festas, qualquer uma que tivesse muita música.
Naquela época de sua juventude, anos 60, não era comum ter bebidas alcoólicas nas festas, e nas juninas, o quentão era tão fraquinho que quase não saia da xícara, coitado!
Essa amiga me conta que a euforia não era provocada pelo alcool, longe disso, era uma alegria autêntica, que contagiava e se espalhava pelo salão decorado de bandeirolas e baloezinhos coloridos.
Não era só Sto. Antonio, o padroeiro da cidade o grande homenageado. Em S.João também tinha festa, e em S. Pedro de novo, para não perder o pique e para pedir ao santo meteorologista que fosse camarada durante o ano todo.
Nas festas do colégio a garota participava na organização, ensaios, montagem de barracas, enfeites e brincadeiras.
Ela se emociona ao me contar sobre o "correio elegante" quando recebia os bilhetinhos e ficava olhando em volta para saber quem era o engracadinho que havia escrito.
Não raro os bilhetes eram enviados por amigos, ou amigas, que queriam brincar e se faziam passar por paqueras.
Tinha a cadeia, onde alguém pagava para outro ser preso, numa cela feita de bambús...e o prisioneiro só saia se alguém pagasse uma fiança.
Ela se lembra de um rapaz, o mais lindo do colegio, que foi preso junto de uma menina que gostava dele.
Tudo combinado, ninguém pagou a fiança. Eles passaram a festa toda atrás das grades de bambú, conversando...
Casaram-se e tiveram dois lindos filhos. Será que foi mérito dos amigos? Ou de Sto. Antonio?
E a quadrilha? Essa senhora que hoje me conta sobre as festas, tinha uma particular preferência pelas quadrilhas. Não perdia uma!
Nunca dançou com seu amor, uma pena, mas foram tantos e tão divertidos os pares! Tantos sorrisos e olhares, tantas voltas e mais voltas, e mais voltas...
E vejam bem, foi numa festa junina que minha amiga começou a namorar seu ultimo amor. Não houve cadeia, nem correio elegante, nem dançaram juntos a quadrilha.
Houve apenas ele assistindo e ela dançando. Ele olhando e ela sorrindo, ele sonhando e ela alimentando o sonho.
Houve pipoca, quentão e pé-de-moleque. E quando ninguém mais estava dançando houve um abraço no ponto do ônubus, um beijinho de despedida, um calor no peito dentro daquela noite gelada de S.João.
Uma lágrima insiste em rolar pelo rosto enquanto me conta sua historia. Mas ela sorri, passa os dedos rapidamente sobre a face e diz com os olhos brilhando: " e então amiga, onde vamos fazer a festa desse ano? aqui mesmo no salão do predio? tem que ter bandeirinhas e também música, muita música!"
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