Ontem minha filha resolveu procurar algumas fotos antigas, do período em que era criança, para mostrar aos filhos. São muitas, a caixa é enorme e muito desorganizada. Não existe um critério, nem por datas nem por pessoas, e então a bagunça ficou instaurada.
As crianças adoraram aquela sensação de que finalmente não havia contrôle algum, riam e mostravam fotos de pessoas que nunca viram, falavam alto e divertiram-se muito.
Revi algumas fotos que há tempos não via. Quantas lembranças lindas, carinhosas, que enchem o coração de calor.
Tantos rostos sorrindo, alguns bem descontraídos, outros fazendo pose, caprichando no olhar. Gente bonita, crianças felizes, avós orgulhosos. Tudo tão atual, e tão antigo.
A essência da minha alegria, do meu orgulho está ali, naquela caixa de fotos. Toda uma vida registrada em cores, para que eu possa resgata-la e respira-la quando sentir vontade.
Não é doloroso, é gratificante. Temos uma historia linda que foi registrada e está ali, ao alcançe das mãos, para quem quiser entender.
Ninguém é infeliz quando tem uma familia como a minha. Pais, irmãos, cunhados e cunhadas, sobrinhos, sogros, tios. Todos ali emaranhados, misturados, como realmente é a vida, uma confusão de pessoas que entram e saem, uma festa onde a porta está sempre aberta para quem quer entrar, ou sair...
A familia sempre foi e será o esteio de tudo. Basta reuni-la para que as energias sejam renovadas. Estender as mãos e tocar uma foto de um ente querido é como receber um afago, uma brisa quente no rosto, um carinho.
Somos simples, pessoas carinhosas, choronas e amorosas. Sabemos de onde viemos e temos muito orgulho em contar nossa história. Somos uma mistura de raças e sobrenomes, que trouxe ao mundo gente de boa índole, digna e trabalhadora.
Aos meus netos queridos deixo aqui uma pequena mensagem: - "Olhem bem as fotos antigas, vejam seus pais e avós, comparem os traços, os cabelos, os sorrisos. Verão que em cada um de vocês existe um pedacinho de nós todos. Orgulhem-se disso, sintam-se abençoados, afinal, vocês nasceram em uma familia que sabe o significado da palavra amor e principalmente da palavra respeito."
- conto com vocês para levarem adiante essa faísca de alegria que se vê em cada olhar, em cada foto.
A bola está com vocês...
... e o bolo também!
quarta-feira, 30 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
A visita
Quando abriu a porta e viu que tratava-se da vizinha e amiga, do andar de baixo, pediu que entrasse, sem rodeios.
Ela trazia um objeto nas mãos, uma espécie de porta-retratos, encostado ao peito. Olhou para a amiga e disse: - "Veja quem chegou para visitar você. Nossa mãe querida..."
Só então a mulher percebeu do que se tratava. Lá estava a figura de Maria, mãe de Jesus, a peregrina que passa um dia na casa de cada morador do bairro. Já havia percebido o movimento das mulheres levando e trazendo a imagem, mas a amiga fez uma surpresa, não avisou sobre a visita.
Colocada sobre um móvel da sala, ficou ali, meio constrangida, sentindo-se intrusa. Não é do tipo de visita que toma um cafezinho, troca dois dedos de prosa e vai embora.
Não, ela espera um olhar, uma oração ou um pedido. Está acostumada a ouvir muita lamentação, lágrimas à espera de um milagre, olhares desesperados procurando consolo. Não raro algum agradecimento, um afago, até um beijo...
Mas naquela sala estava sentindo-se intrusa. Não havia sido convidada e a anfitriã já dera muitos sinais de que suas relações estavam estremecidas. Como tem por principio o respeito à opinião das pessoas, quedou-se ali, só olhando com seu sorriso suave nos lábios.
Mas a mulher foi gentil, falou com ela sobre suas dúvidas e decepções, seus planos e sonhos, e principalmente sobre os filhos e netos.
Nada pediu. Sentia-se constrangida diante da soberba imagem da Mãe de Jesus, doce e meiga, e também não achava-se confortavel para reinvindicar favores.
O relacionamento estava rompido há muitos anos, por conta de feridas escancaradas e mal curadas. Sentia-se violentada em sua dedicação, cansada de dar-se sempre, entregar-se sempre, dobrar-se sempre.
Não, não iria cair de joelhos, chorando e pedindo perdão, principalmente porque não se sentia em pecado.
Conversou longamente com sua visita, contou-lhe os motivos da ausência nas missas, nas procissões, até mesmo nas festas da igreja. Falou de suas angústias e medos, como se estivesse na presença de uma amiga, silenciosa e solene amiga, que ouvia e sorria, concordando e entendendo suas palavras.
Na despedida, um abraço sincero, votos de uma peregrinação tranquila, até um carinho no rosto, um sorriso na face.
Essa mulher está começando a entender o significado das imagens. Elas remetem à força imaginária, à luz, à atração forte e irresistível pelo que nos dá a natureza. É a imagem do bem, na qual você precisa se concentrar para alcançar a energia que é vida, a paz de seu espirito, o conforto da alma.
Gostou da visita da bela Senhora. Sabe que voltará dentro de algum tempo, quando completar o ciclo de visitas pelo bairro.
Sabe também que receberá a amiga de braços abertos, falarão sobre seus assuntos, talvez até contem coisas engraçadas, riem, porque é assim que se comporta uma mulher que sabe abrir as portas de seu lar para os amigos.
Com dignidade e alegria...sempre!
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sexta-feira, 18 de março de 2011
Edison - 60 anos!
"Você meu amigo de fé, meu irmão camarada...
Amigo de tantos caminhos, e tantas jornadas...
cabeça de homem mas o coração de menino...
aquele que está do meu lado
em qualquer caminhada..."
Pessoas que olharem para essa foto, um alerta! ele não é essa criança inocente segurando seu ursinho.
Não se deixem enganar pelo olhar maroto, notem o sorriso enigmático. Vocês nem imaginam o que tem por trás dessa máscara.
Imaginem uma menina tímida, ingênua por demais, vítima de seu irmão mais novo (não muito mais novo!).
Essa menina (eu) queria muito saber pedalar uma bicicleta. O irmão generoso diz:
- vamos, pode pedalar que eu seguro você. Não vou largar...
Imaginem uma rua, descida de terra, no final da rua um terreno baldio onde as pessoas jogavam lixo, muito lixo.
A menina pedalando, com medo, e gritando:- não solta, não solta!
Claro que ele não soltou no percurso todo, apenas quando estava chegando no lixão.
Foi um tombo digno de aparecer no Faustão, se acaso já houvesse. Trauma para o resto da vida, todas as crianças da rua gargalhando, foi para nunca mais esquecer.
Inesquecível também o dia que correu atrás da coitada da irmã (eu) com uma faca de cozinha, dizendo que ia matá-la. Era tudo brincadeira segundo ele. Será? segundo ela...
Brincar de casinha com as amigas era um desafio. Tomavam banho de xixi - nas costas - quando estavam sentadas no chão, distraidas. Pobres meninas, saiam correndo e gritando quando percebiam o que estava acontecendo, um horror!
Boas lembranças? ótimas, sem dúvida. Mas o bom mesmo é poder hoje estar contando tudo isso, rindo ou chorando, afinal nem tudo foi alegria, mas nem tudo foi ruim.
Aquele menino bonito, chorão, estragadinho e mimado pela mãe, agora vai para a cozinha, faz pratos deliciosos e promove encontros divertidos que todos adoram.
Hoje é seu aniversário, sessenta (60!!!) anos, que você faz questão de comemorar com muita música e gente ao seu redor.
E é assim que será. Sem lágrimas, sem saudade ou lembranças amargas.
Certamente sabemos que se fosse possível um recomeço, todos escolheríamos os mesmos pais, irmãos, o mesmo ninho. Simples assim...um ninho para onde voltar.
Parabéns meu irmão. Que seus dias sejam calmos, sua noites serenas, suas mesas fartas. Essa nossa caminhada está longe de acabar (toc, toc, toc, na madeira) e eu pretendo ainda rir e chorar muito ao seu lado, contando "causos" para nossos filhos.
Te amamos muito. Um brinde à sua saúde...tim,tim!
Algumas hortências, as flores preferidas da mamãe...olha que lindas!
terça-feira, 15 de março de 2011
Thiago
Existem pessoas fofas e pessoas muito fofas. Essa pessoa que faz aniversario hoje está entre as muito fofas.
Nunca deixaria de escrever algumas linhas para ele, mesmo sabendo que irão me carimbar como "puxa-saco", "baba-ovo" e outras coisinhas mais. Mas eu não ligo.
Esse menino querido entrava em minha casa - isso há bem mais de vinte anos - gritando, correndo, levando os tapetes nos pés, com um só objetivo em mente: - a cozinha!
Então, invariavelmente, perguntava "fungando" - tia, tem bolo?"
Só quem viveu aqueles dias pode rir dessa lembrança. O funga-funga era por conta de uma adenoide, que já não existe mais. Agora...o prazer de comer bolo (e tudo o que é de comer) ele não perdeu jamais.
Quanta saudade!
Hoje, nosso menino transformou-se em homem, engenheiro, jipeiro, batalhador, orgulho de tios e primos que o amam.
Orgulho estampado também na face do pai, que tem um brilho diferente no olhar quando fala do filho amigo, companheiro de passeios de jeep, cúmplice em episódios tristes que os aproximaram ainda mais.
Orgulho visível também da mãe, minha cunhada, que não esconde a satisfação de ver seu filhão realizando seus sonhos.
Enfim, um menino muito querido, lindo, sorriso fácil, olhar de moleque travesso.
Me encheu de alegria e emoção há poucos dias quando ao lado de sua noiva (doce Karin) me convidou para madrinha de seu casamento.
Estou pensando se aceito... tenho medo de enfartar de emoção no altar! (brincadeirinha...)
Enfim Thiago, fica aqui uma pequena homenagem a você, que, como se fosse meu filho me emociona e me enche de carinho. Como agradecer? Estamos distantes, não posso siquer bater um bolo para lhe agradar.
Posso apenas levantar um brinde - de cerveja bem gelada - e prometo que vou fazer isso, com prazer.
Sei que será sempre muito feliz, e é isso o que esperamos sinceramente.
Tim...tim! Saude!
Nunca deixaria de escrever algumas linhas para ele, mesmo sabendo que irão me carimbar como "puxa-saco", "baba-ovo" e outras coisinhas mais. Mas eu não ligo.
Esse menino querido entrava em minha casa - isso há bem mais de vinte anos - gritando, correndo, levando os tapetes nos pés, com um só objetivo em mente: - a cozinha!
Então, invariavelmente, perguntava "fungando" - tia, tem bolo?"
Só quem viveu aqueles dias pode rir dessa lembrança. O funga-funga era por conta de uma adenoide, que já não existe mais. Agora...o prazer de comer bolo (e tudo o que é de comer) ele não perdeu jamais.
Quanta saudade!
Hoje, nosso menino transformou-se em homem, engenheiro, jipeiro, batalhador, orgulho de tios e primos que o amam.
Orgulho estampado também na face do pai, que tem um brilho diferente no olhar quando fala do filho amigo, companheiro de passeios de jeep, cúmplice em episódios tristes que os aproximaram ainda mais.
Orgulho visível também da mãe, minha cunhada, que não esconde a satisfação de ver seu filhão realizando seus sonhos.
Enfim, um menino muito querido, lindo, sorriso fácil, olhar de moleque travesso.
Me encheu de alegria e emoção há poucos dias quando ao lado de sua noiva (doce Karin) me convidou para madrinha de seu casamento.
Estou pensando se aceito... tenho medo de enfartar de emoção no altar! (brincadeirinha...)
Enfim Thiago, fica aqui uma pequena homenagem a você, que, como se fosse meu filho me emociona e me enche de carinho. Como agradecer? Estamos distantes, não posso siquer bater um bolo para lhe agradar.
Posso apenas levantar um brinde - de cerveja bem gelada - e prometo que vou fazer isso, com prazer.
Sei que será sempre muito feliz, e é isso o que esperamos sinceramente.
Tim...tim! Saude!
sexta-feira, 11 de março de 2011
Mulher
Podem brigar comigo porque não fiz, nessa nossa semana da mulher, um comentário siquer sobre o assunto.
Eu explico -: ando tão preguiçosa...tenho preguiça até de pensar em escrever!
E também não fico muito à vontade para escrever sobre a mulher, posto que sou uma.
Se me pedem para falar sobre um homem, faria comentários emocionados sobre meu pai, meu marido, que foram homens especiais para mim.
Agora...como mulher que sou gosto de ler uma homenagem, receber uma flor, um anexo por e-mail, um carinho.
Dá para notar minha preguiça, não é mesmo? E não é porque dançei muito no Carnaval, de maneira alguma. Acho que trata-se de uma semana "sabática". Gosto dessa palavra, nunca tinha usado por aqui!
Minhas amigas me perdoem, minhas filhas e minha nora também, e minha irmã idem, mas nem disse uma palavra sobre seu dia, nem uma flor, nem um gesto - mesmo que virtual - de carinho.
Aproveito então para dizer algumas palavras - um dia acredito que serão lidas - para minhas netas. Duas mulherzinhas lindas, uma de quatro anos e a caçula de um ano e oito meses.
Meninas queridas, Valentina e Lara:- sejam mulheres alegres, felizes em sua plenitude.
Estudem muito, leiam muito, aprendam tudo o que for possível, porque aprender é o que realmente vale a pena, o que realmente te dá amparo, sustento, sabedoria.
Cuidem-se. Tratem de fazer amizades sinceras, para sempre...
Preservem-se, não se envolvam com pessoas que vão magoá-las, destruí-las.
Amem-se, não se apaixonem por alguém que não as amará como vocês merecem.
Tenham auto-estima, nem que a vida não lhes reserve um companheiro, a mulher deve e pode ser feliz, quando ela se respeita.
E lembrem-se: RESPEITO é a palavra chave. Ela abre horizontes, mantém a dignidade, conserva a alegria e a beleza.
Estou investindo em vocês minha esperança de que essa maratona valerá a pena.
Parabéns então para nós todas, e flores para vocês... todas...
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terça-feira, 1 de março de 2011
O lago
Ele foi esticando o corpo moído, devagar, os ossos doendo de cansaço. A rede era grande e confortável, fresca, debaixo da enorme paineira. Sentia-se tão consumido pela fadiga mas ao mesmo tempo tão orgulhoso e feliz por ter conseguido terminar o enorme buraco onde formaria seu lago.
Aquelas férias foram anciosamente esperadas e planejadas. O pequeno regato que margeava um dos lados do sitio deveria ser desviado para um espaço plano, preparado com cuidado, para transforma-se em um lindo lago, e depois, lá embaixo, continuar seu curso.
Tudo tinha corrido conforme seus planos. Os homens que o ajudaram eram decentes, bons com as ferramentas, e tudo foi demasiado rápido e tranquilo. Um trabalho pesado, claro, mas que ele fazia ombro a ombro com os peões, de sol a sol, sem reclamar.
Até que finalmente, naquele dia, soltaram a pequena comporta e a água limpa e doce do riacho começou a invadir o espaço que lhe fora destinado. Era o pequeno rio virando lago e depois voltando a ser rio novamente, cumprindo seu destino.
E o homem lá em cima, banho tomado, balançando suave em sua rede, percebeu que a noite chegou rápida e ele não conseguiria mais alcançar com o olhar os limites de seu sitio.
Continuou ali, sonhando - quem sabe coloco uns peixes bonitos, ou talvez monte um pequeno veleiro para o filho brincar - porque não?
Está feito - pensava - amanhã bem cedo desço para ver o nível da água. Agora é descansar.
Da casa vinha um burburinho de vozes de crianças, a mãe comandando os banhos, as roupas a serem usadas, as toalhas. Aos poucos o silêncio, as crianças já banhadas, exaustas das brincadeiras do dia, deixavam-se ficar na sala, jogadas pelo chão, aguardando o jantar.
Ah! o jantar...era bem vindo depois de um dia desses. A fumaça do fogão a lenha já estava a algum tempo misturando-se com os vagalumes pelo terreiro.
Logo, logo, estariam todos comendo, conversando, fazendo planos para o dia seguinte, que se fosse de sol daria muitas brincadeiras, agora também lá embaixo, esperando o lago encher de água.
Aproveitou mais um pouco aquele silêncio que ele amava demais, aquele pedaço de céu tão estrelado que parecia de mentira, e agradeceu por tudo - eu sei - porque era muito feliz naquele rincão querido.
Alguns minutos depois via-se apenas a rede balançando, lenta, em meio aos vagalumes. Hora de retirar-se...
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Um conto?
Um solavanco a fez voltar do sono leve, um breve cochilo, no banco do ônibus que a trazia de volta para casa.
A viagem havia sido longa mas estava chegando ao fim. Viajar à noite não tinha sido muito bom, lá fora tudo negro, apenas o reflexo de seu rosto triste no vidro fechado. Fazia frio, estava muito cansada.
Desde o embarque não tinha siquer olhado de lado, envergonhada pelas lágrimas que insistiam em rolar, abundantes, pelo rosto tão jovem e tão magoado.
Olhando mais detalhadamente via-se que era uma menina, uns dezoito anos? Rosto delicado, cabelos longos e morenos, pele pálida. Chorou durante todo o percurso, baixinho, e mesmo quando finalmente adormeceu percebia-se que soluçava, como se seu coração estivesse doendo.
E agora, bem perto da estação final, um movimento brusco do motorista a despertou e ela finalmente olhou para mim, assustada.
Sorri meu melhor sorriso de bom dia - não se assuste, está tudo bem!
Ela retribuiu o cumprimento e disse timidamente - acho que dormi, estamos chegando?
Aproveitei aquele momento rápido de cumplicidade para dizer que também não dormi a noite toda, que estava triste por ter deixado a mulher que amava, mas que esperava desde já a oportunidade de voltar para vê-la.
E então aquela menina levantou pra mim seus olhos castanhos, inchados de chorar e de uma tristeza profunda.
E lá no fundo daquele olhar eu percebi que ela não ia voltar. Aquelas lágrimas eram de despedida.
Era um ciclo que chegava ao fim, era uma nova vida a partir daquela noite, e tudo aquilo doia muito.
Nos despedimos na rodoviária, um breve aperto de mãos, votos de felicidades para mim, de superação para ela.
Já fazem tantos anos, nunca mais a vi, mas sempre me lembro daquelas lágrimas rolando pelo seu perfil, olhando para o nada lá de fora, soluçando baxinho.
Senti uma pontinha de inveja pelo homem merecedor daquela despedida e desejei sinceramente uma vida de alegrias para ela.
Gostaria de ter sido seu amigo. Será que é feliz?
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Eu me lembro!
Um dia desses, na sala de espera da clínica de fisioterapia, estive folheando uma revista e li uma pequena crônica - infelizmente não gravei o nome do autor - que falava sobre o que realmente lembramos do período escolar. Ele se referia aos primeiros anos, trazendo à tona seus mais remotos dias de criança.
Com sinceridade eu digo que esqueci quase tudo o que aprendi. A prova real, os números primos, algumas taboadas. De português? não saberia mais conjugar os verbos, fazer uma análise gramatical. E os rios e seus afluentes? e os nomes das pessoas que fizeram parte da Historia do Brasil? quase todas eu me esqueci.
Mas eu não esqueci de minha primeira professora. Nem de minha primeira escola, tão linda, pintada de amarelo bem clarinho, pátio cheio de arcos, mastro onde hasteávamos a Bandeira Nacional toda semana.
Não...não dá para esquecer o rosto de alguns amiguinhos, hoje tão distantes de mim, onde estarão?
E na saída das aulas, quando havia chovido, as brincadeiras nas valetas que a chuva deixava pelas ruas sem asfalto de minha querida cidade. Como esquecer?
E na hora do lanche, desembrulhar o pacotinho de papel de pão - que nem sempre tinha pão - mas mandioca frita, bolinho de arroz, uma banana. Não tínhamos vergonha do lanche simples, todos éramos crianças, famintas e totalmente inocentes. Comíamos às pressas para aproveitar o tempo com brincadeiras - de amarelinha, de roda, de bate-bafo, de bolinha de gude.
Não esqueço o frio na barriga em dia de prova, a algazarra nos ensaios do coral, o respeito na hora da fila quando cantávamos o Hino Nacional antes de entrar para as classes.
Penso mesmo que me lembro de tudo o que precisa ser lembrado, ou melhor :- mereçe ser lembrado.
Se não sou uma pessoa melhor, poderia ser pior se não tivesse tido a oportunidade de viver aquela época, naquele lugar, com aquelas pessoas. De que me adiantaria saber ainda todos os algarismos romanos se não tivesse as lembranças e a saudade de minha escola querida?
Fechei a revista quando chegou minha vez de ser atendida e pensei com meus botões - "ele está certo...pobre daquele que não tem saudade. Esquecer pra que?"...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Olha bem!
Diga-me agora, sem pestanejar, quantos homens bonitos como ele você conhece?
Dá para contar nos dedos, não é mesmo?
Então esforce-se mais um pouco e responda: quantos cantores você conhece que tem a voz dele?
Pouquíssimos em? Talvez nenhum! Ou - vá lá - um!
E o carisma, o sorriso, o rebolado - uau ! - e aquele topete atrevido que inspirou tantos jovens na década do rock.
Elvis Aaron Presley, foi tudo isso e infinitamente mais. Tão querido e famoso que até hoje é lembrado com respeito e saudade. Dancei muito ao som de suas músicas, embalada pela voz forte e ao mesmo tempo tão doce.
Um fato engraçado: nunca falei inglês, mas sabia (decoradas) suas músicas inteiras, cantava e dançava em frente à pequena vitrola, bem alto, como se fosse uma grande cantora americana. Rebolava como ele, rodopiava, e por alguns instantes tinha a deliciosa ilusão de que cantávamos juntos.
Quando o disco terminava, eu voltava para minha vassoura - que segundos atrás era meu microfone, ou minha guitarra - e continuava varrendo a casa, obrigação que era minha aos sábados e domingos.
Saudosismo? sei lá...acho que é isso mesmo. Continuo assistindo seus shows, em video, e ouvindo suas músicas mais interessantes. Não gostava dele no cinema, nem ia ver os filmes - engraçado não? - porque para mim aquilo tudo, o Havai, as praias, as dançarinas com as quais ele sempre se envolvia nas historias, não me interessavam. Eu queria ouvir, cantar e dançar.
Já comentei aqui em casa que gosto muito de ver alguns shows internacionais, sempre homenageando ou angariando fundos, quando artistas do porte de Paul McCartney, Phil Collins, Roger Walter e muitos outros "velhões" inteiraços cantam seus sucessos atuais e do passado.
Então fico pensando, qual seria o impacto de um Elvis Presley entrando no palco, com setenta e sete anos, gordo e de macacão branco bordado de lantejoulas? Não sobrava pra mais ninguém!
Tenho um lindo poster dele, que meu genro trouxe de Menphis, na parede do outro quarto (o da bagunça), que mandei emoldurar e só não coloco no meu quarto porque quando ganhei meu marido ainda vivia e disse-me: - "se você colocar em nosso quarto eu saio!" e ele falava sério.
Então não tenho coragem de traze-lo para meu quarto porque chego a sentir o Luiz fungando em minhas costas, de ciúme. - Bobo, eu sei que era só graça sua, que no fundinho você também gostava dele.
Dia oito de janeiro foi aniversario do Elvis, como disse ele faria setenta e sete anos. Viveu pouco, uma vida boa até alguns anos antes da morte, quando entrou em paranóia e encontrou alguém que o ajudou a dar fim naquele emaranhado todo. Mas isso é assunto para biógrafo, não eu.
Eu quero apenas sentar em minha poltrona favorita, ligar o som e ouvir a voz que jamais houve igual.
E nesse momento que é só meu sentir-me novamente adolescente, cantando e rodando feito louca pela sala, com aquela alegria que só a juventude apaixonada tem.
Deixo aqui meu brinde ao maior, ao melhor, ao rei! tim...tim...
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Meu filho na faculdade
Estava aguardando com certa ansiedade essas semanas que marcam o inicio das aulas. As mães que levam seus filhos pela primeira vez à escola sabem o que esses dias significam. A iniciação na escola é também uma época dificil para as mães. Lembro-me da primeira vez que deixei meus dois primeiros filhos, juntos, no pátio do colégio, enfileirados para entrarem em suas classes. Só de me lembrar a emoção volta viva, como se fosse hoje. Fui chorando do colégio até em casa, cega pelas lágrimas e sentindo-me a pior das mortais.
Com minha terceira filha foi diferente, ela simplesmente não ficou na escola, tamanha a gritaria que armou. Naquela época não permitiam que os pais ficassem para adaptação, e ela perdeu o uniforme e material, porque não houve alguém capaz de convence-la. Todos têm historias engraçadas e emocionantes para contar. Com meus netos não fugimos da regra. Minhas filhas, para seguir o padrão lacrimoso da familia, choraram baldes na despedida do primeiro dia de aula. Já minha nora, cabe aqui um fato diferente. Meu netinho mais velho, Otávio, foi levado pela mãe e ficou bem, sem muitos rodeios, apenas olhando timidamente ela se afastar. Ela, evidentemente, mal enxergava o caminho de casa de tantas lágrimas.
O inusitado veio na hora de sair da escola. O Otávio grudou no portão e chorarva que não queria ir embora para casa. A mãe sentiu-se muito mal, - mas como? - afinal, o que ela esperava era um sorriso e um grande abraço de reencontro...enfim, crianças são assim, nos surpreendem a cada dia.
E hoje eu, essa mulher que achou que já tinha vivido todas as emoções com seus filhos, estou novamente com o coração palpitando porque meu filho, Junior, está indo para a faculdade.
Veja só, as meninas também me emocionaram quando foram aprovadas, com seus sonhos e seus orgulhos, mas ele só agora vai cursar a faculdade. Casado, três filhos, trabalhando muito, matando um leão por dia e calouro na faculdade de engenharia de sua cidade.
Como trabalhou muito conosco, seus pais, em nosso pequeno comércio, não teve a oportunidade de fazer curso superior na época certa. E agora sente necessidade de aprimorar seus conhecimentos para poder vencer na industria em que trabalha.
O que posso dizer para esse filho carinhoso, amigo, bondoso e companheiro?
O que uma mãe faz quando deixa seu pequeno filho na porta da escola pela primeira vez? Dá-lhe um abraço apertado e um longo beijo na bochecha rosada. Vira-se e sai andando cega pelas lágrimas.
Por mais que os anos passem, os sentimentos são os mesmos, as alegrias e emoções também.
Quando ele me telefonou contando que tinha conseguido a vaga, perguntou-me - "você está orgulhosa"?
Sente só isso: é uma mãe orgulhosa de ver seu filho caminhando na vida, e é um filho precisando da aprovação e do chamego da mãe. Viram como nada muda com o passar dos anos?
Meu brinde de hoje é feliz e cheio de confiança no futuro de meu querido filho, porque ele sabe que meu coração está transbordando de orgulho, por mim, e pelo seu pai, que deve estar sorrindo largo ao ver as estrepolias de seus frutos.
A cervejinha gelada você paga quando eu for até aí...certo?
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