Hoje, dia 3 de abril, véspera de meu aniversário de casamento, 4 de abril de 1970!
Como foi essa véspera? Pelas minhas retinas passam imagens divertidas, confusas e cansadas
Parece-me que não fui eu...não vivi aquele dia. Estaria nervosa? creio que não.
Passamos boa parte do dia preparando docinhos. Quando digo passamos, é porque lembro-me da ajuda de amigas, primas, parentes da Joana, minha madrasta. Era um verdadeiro exército de mulheres num corre-corre maluco.
Muitas risadas, muitas piadinhas sobre a noite de nupcias. Elas fariam qualquer coisa para me deixar encabulada. E conseguiam!
E vamos aos brigadeiros, cajuzinhos, olhos de sogra, beijinhos. Tudo enrolado, passado no açúcar, ou no chocolate, ou no coco ralado. Uma confusão de mãos sobre a mesa da copa, rápidas e caprichosas, ávidas por ajudar.
Na cozinha os bolos sendo assados, depois recheados e cobertos com glacê branco. Cadê os noivinhos?
Não comprou? sim, lá estavam eles, abraçados e sorrindo, aguardando na caixinha o seu momento de brilhar.
O pai da noiva, emocionado e feliz, correndo de lá para cá preparando as caixas para colocar as cervejas no gelo, esticar a lona no quintal (e se chover?) providenciar mesas longas e fortes, de madeira, para que todos ficassem confortáveis.
O irmão chega do quartel, cabeça raspada, lindo, as meninas ficam animadinhas, pedem que ele ajude. Não se faz de rogado, lava louças, conta piadas, uma delicia!
Os outros irmãos felizes, ajudando o papai. A pequena dama de honra sonhando acordada com o momento de usar o vestidinho novo.
Quando a noite nos encontra, exaustos mas felizes, chega o noivo, nervoso, será que tudo vai dar certo?
Porque não daria meu bem?
Bolo confeitado, docinhos sobre a mesa cobertos com toalha...
Os noivinhos quietinhos na caixa, esperando... de mãos dadas.
O vestido no cabide, no quarto, só aguardando...
Os sapatos brancos sobre a cômoda, com a nuvem de véus e as luvas...
E voce homem de Deus, nervoso porque? Diga aqui pra mim, nervoso porque?
E ele com um sorriso lindo, um olhar castanho e um jeito maroto de menino:-
"penso se vamos suportar tanta felicidade, penso se realmente estamos vivendo tudo isso".
Sim querido, vivemos tudo isso, e saiba que valeu cada dia, cada ano.
Sinto saudades suas, faria tudo novamente. Um beijo meu.



