sexta-feira, 13 de julho de 2012

sou do tempo que ...

 


Podem chamar isso de plágio, ou quem sabe de falta de criatividade, mas eu nao ligo.
Quando li a postagem do Christian, do blog Escritos Lisérgicos, falando desse assunto, não resisiti, e aqui estou!
 
Sou do tempo que...
assistia ao circo do Arrelia, domingo à tarde, sentada no chão da sala repleta de crianças que moravam em nossa rua, e gostávamos de rir com as estripulias do Pimentinha.
Nao perdia um capitulo do seriado RinTinTin (o cão), onde havia um menino chamado cabo Rusty, mas o que as meninas viam mesmo era o tenente Rip Master, meu primeiro exemplo de homem bonito e elegante rsrsrs. (acima)
Pensam que as meninas daquele tempo eram bobas?
Algumas eram mesmo! mas a maioria era bem espertinha e sabia o que era para ser admirado.
Sou do tempo que...cantava-se muito, mesmo sem saber uma palavra em ingles, as musicas de Neil Sedaka, Beatles, meu amado Elvis (outro homem bonito)  Bob Dylan e muitos mais. Mammas and Pappas? cantei e dancei muito!
Ray Coniff (La mer!!!) dancei demais!
Sou do tempo que...dançávamos de rosto colado, bem pertinho, sentindo o cheirinho bom -se fosse o garoto anonimamente paquerado o cheiro era ótimo - e rezando para que a música nao acabasse mais...
Fazíamos bailes para comissao de formatura, nos terraços ou salas de nossas casas, regados a cuba-libre (os meninos faziam vaquinha para comprar run de qualidade duvidosa, as meninas levavam coca-cola), e a mistura era um copo de coca para uma colher de run rsrsrs.
Tinha que render muito, pois o dinheiro arrecadado ia para as despesas com o baile de formatura.
Sou do tempo que esses bailinhos eram das 18 às 22 horas - podem rir!!!
Sou do tempo que...as meninas usavam meia-de-seda com costura preta, um horror, porque tinha que ficar bem retinha na parte de trás da perna.
 
Meia calca? nao havia rsrsrs
As meias eram presas por ligas, que nem sempre as mantinham no lugar, ocasionando riscas tortas ou pior - franzidas!
Sou do tempo que ...usavamos conjuntinho de ban-lon, com saia plissada.
Ban lon? era um tecido sintético, quente, grudava no corpo - as meninas americanas usavam nos filmes do Elvis - e nós por aqui cozinhávamos dentro deles para ficar "por dentro da moda". 
 
Os cabelos? as donas dos crespos faziam "touca" para alisar (o meu caso),  já os lisos eram enrolados com "bobies" para ficarem armados. E depois uma núvem de laquê para disciplina-los rsrsrs

Ah! sou do tempo que ninguém tinha carro, apenas algumas familias mais abastadas. Portanto, coitada da garota que pegasse carona com um rapaz.  Logo todos ficavam sabendo e a pobre  ficava "falada".
Porém... se fosse carona coletiva, era perdoada. Qual a melhor saída?  quando uma amiga estava paquerando um rapaz que tinha carro, todas nós pegávamos carona juntas,  para dar a eles a oportunidade de uma voltinha... que delicia!
Sei que voce está com vontade de contar algo, sinto isso! Que tal contar agora?
Ficará apenas entre nós, e toda a blogosfera rsrsrs
Tenho uma sensação de que essa postagem vai merecer uma segunda parte...


fala sério!!!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fechado para balanço!

Pessoal amigo, meu pequeno dinossauro, que voces chamam de computador, entrou em parafuso já faz algum tempo.
Tenho brigado muito com ele, mas não dá...
Hoje vai para o técnico e eu espero que possa ficar pronto em doi dias.
Estou cansada de suas chatices e teimosias.  Já avisei que essa é a sua ultima chance, senão...reciclável nele!
Por favor tenham paciência e não me esqueçam. Até...


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Espiritualidade



Quando paro para refletir sobre espiritualidade, um turbilhão de emoções e lembranças toma conta de mim.
Nasci em familia católica,  fui batizada e casei-me  na igreja. Batizei meus filhos e cuidei que recebessem a primeira eucaristia.
Na juventude cumpria com alegria as celebrações do calendário religioso.
Foi depois... bem depois da juventude,  que percebi em mim uma inquietação,  pouco confortável,  incômoda.
Houve um momento em minha vida que foi determinante, uma hora desesperada e tremendamente dificil. Penso que foi meu pior momento.
E foi exatamente nessa hora dificil que a minha igreja me decepcionou,  escorregou entre meus dedos, não soube me acolher.
Não entrarei em detalhes pessoais, pois os mesmos costumam ser cansativos para quem não os viveu.
Os anos, o inexorável transcorrer dos anos,  trouxeram para meu coração um modo novo de crer.
Me emocionam os hinos sagrados quando os ouço em um casamento ou batismo.
Me comove também a simplicidade das pessoas humildes, puras, que seguem os rituais sem contestar, acreditando de maneira incondicional.
Observo meus netos frequentando o catecismo e sinto que eles gostam,  participam das inúmeras atividades da comunidade, são felizes.
Respeito sinceramente meus filhos e as crianças, que seguem suas vidas sem a mínima intervenção ou crítica.
Não vou à igreja, nem à missa, nem sigo mais os rituais bonitos e emocionantes.
Penso em Deus como uma imensa luz, incrível e enorme luz, para a qual volto meu olhar quando preciso de força e energia.
Essa energia, para mim, vem dessa luz.  Vem da natureza exuberante, vem do mar maravilhoso e forte.
Minha igreja é minha casa, minha familia, minhas crianças.
Meu ofertório é carinho, atenção e respeito aos que passam pela minha vida.
Minha gratidão eterna é para as pessoas que foram importantes em minha vida e me amaram de verdade.
Minha vida não teria sentido se eu não praticasse o bem, ajudasse quem precisa, estendesse a mão à quem amo.
Meu confessionario é  meu travesseiro, quando deito em paz e consciente de que tenho muito,  muito mais do que mereço.
Minha preçe é uma conversa boa com meus filhos, um olhar nos olhos de meus irmãos, um abraço em meus netos.
Não ter preconceitos, não difamar, principalmente não odiar.
Essa é minha religião.   Amém!




Visite também os blogues que se comprometeram a participar dessa blogagem coletiva clicando no Link abaixo:

http://devaneiosedesvarios.blogspot.com.br/p/blogagem-coletiva-06072012-blogs.htmll



sábado, 30 de junho de 2012

Alguém diferente



Toda cidade tem um personagem pitoresco. Pense um pouco e voce vai se lembrar de um, ou mais!
Na cidade de Osasco, onde vivi muitos anos, havia a Ximbica. Uma mulher de idade indefinida, maltrapilha, que vivia pelos bares bebendo,  isso em uma época que as mulheres sequer entravam em um bar.
A Ximbica aceitava convite dos homens para um "traguinho" e com isso eles garantiam horas de diversão, pois ela não se fazia de rogada, soltava seus palavrões e piadas imundas, tornando-se a diversão da rapaziada.
Alguns anos depois de ter mudado para o interior, meu pai contou que ela havia falecido. Houve velório, palavras no jornal da cidade, sepultamento digno. A Ximbica fez historia, era querida e nem sabia.
Por aqui, em Valinhos, em 1986 quando cheguei, havia também uma figura pitoresca. o nome dela era Santa.
Nem sei ao certo se era Santa mesmo, ou se deram a ela esse apelido porque de "santa" não tinha nada rsrsr
O cabelo era todo desgrenhado, crespo e curto, onde ela fazia algumas trancinhas e amarrava com fitinhas e tiras de pano coloridas.
A idade também era indefinida, carregava uma sacola imunda cheia de panos com um prato e uma caneca.
O curioso da Santa era a sua total falta de pudor.
Em sua inseparável sacola tinha também sabonete e toalha. No verão ela não se apertava, entrava em qualquer jardim, abria a torneira, ficava totalmente nua e tomava um banho gostoso. E cantando!
Era a atração da cidade. Todos já tinham visto a Santa nua, peladinha da silva mesmo, e toda ensaboada, cantando rsrsrs
A policia aparecia e acabava logo com a festa. Mas nem todos avisavam a policia, pois preferiam assistir ao show da Santa em seus minutos de glória.
Minha casa era, não raro, alvo de outra atitude despudorada dela.
A casa foi construida nos fundos do terreno, uma subida, com pedras até a porta da sala.
Cidade pequena, pacata, o portão ficava aberto pois não havia medo nem surpresas.
Mas foram várias as vezes que a Santa entrava até o meio da subida, abaixava as calças e virava o "traseiro" para minha casa, fazendo xixi.
Meus filhos riam muito com a cena vista da janela da cozinha.
Ao terminar,  continuava a subir e  batia na porta pedindo café. rsrsrs
Servia o café em sua propria caneca, oferecia pão,  que ela comia á sombra da jabuticabeira   Enquanto isso eu abria o esguicho para que a água lavasse as pedras.
Ela ria e dizia que eu era muito boba,  não precisava lavar, ia secar...
Santa também morreu, passou uma temporada no hospital, sendo tratada com muito carinho pela equipe da Santa Casa.
Já se lembrou da figurinha especial que voce conhece em sua cidade?
Com certeza existe, não há cidade sem eles.
Hoje, como é regra não ficar sem,  tem por aqui um homem jovem, que anda para cima e para baixo chupando chupeta.
Mas ele chupa com força, até faz barulho, e estala a lingua, com prazer de criança rsrsrs
Sinto pena, mas percebo alegria em sua demência, creio que seria muito pior se estivesse em um hospital psquiátrico.
Os comerciantes o alimentam, dão roupas e calçados. É a maneira brasileira de ajudar, sei lá, posso estar errada.
Diga-me o que acha. Agora é sua vez de me contar...





quarta-feira, 27 de junho de 2012

Olá Pessoal!




Convido voces a participarem da blogagem coletiva idealizada pelo meu jovem e querido amigo Christian, do blog Escritos Lisérgicos.
O assunto será "Espiritualidade",  muito interessante,  que dará oportunidade de colocarmos nossas opiniões e aprendermos um pouco mais com as colocações dos  amigos parceiros.
Basta ir até o blog do Christian, "escritoslisergicos.blogspot.com.br" e deixar seu comentario e seu endereço para que outros amigos leiam sua postagem.
É a primeira vez que participo de uma blogagem coletiva, portanto, perdoem algum erro nessa minha comunicação.
Vamos lá, copiem o banner acima e participem, vai ser uma delicia saber a opinião de voces. Conto com isso! até lá!
Enquanto isso vamos festejando os santos juninos!
Meu Deus, nunca fui a tanta festinha como nesse ano.
As crianças querem ver a vovó por lá, mas cada um estuda em uma escola, e lá vamos nós...
Uma delicia essa fase, fico contente e emocionada em ver essas crianças lindas e sadias, "acaipiradas" de chapéu e trancinha.
Teve também a festa de Tupi, sábado dia 23, em Piracicaba.
Me comove ver as pessoas simples cumprindo os rituais desde a alvorada (às 6 da matina) até à queima de fogos (à meia-noite).
Junte emoção e alegria e terá a festa de Tupi. Irresistível!
Fora o prazer de ter os netos que moram por lá, todos em volta, enfeitando a minha vida.
Sexta - em Sorocaba - e sábado por aqui mesmo, mais festa, e nessa toada passou o mês de junho.
Que venha julho!  que traga alegrias, férias, frio e muita saúde para todos nós.
"... vamu lá pessoar por esse mundão que é bão demais sô. . . "











quarta-feira, 20 de junho de 2012

Uma paixão!



Hoje passei distraida por uma banca de revistas e fui tomada por uma onda de nostalgia.
Gibis! sempre fui louca por eles, desde minha mais antiga lembrança. Aprendi a ler nos gibis, muito mais do que nos livros.
Juntava moedinhas para compra-los, e depois trocava na escola ou na rua, em uma organização tão certa, tão correta, que os grandes banqueiros deviam se inspirar nela hoje em dia rsrs.
Todos liam todos os gibis de todos. E nenhum era repetido, e todos ficavam felizes.
Não me lembro mais do segredo, mas sei que funcionava.
Quando tinha uns onze ou doze anos, meu pai chegou em casa com um exemplar de "Seleções".
Havia feito uma assinatura e eu me senti a grande beneficiada. Lia embevecida, por horas e horas, as historias, crônicas, reportagens. Nada escapava, nem mesmo as propagandas.
Aquilo era tão novo, tão mágico, que eu já não imaginava mais a minha vida sem as "seleções".
Quando aos quatorze anos comecei a trabalhar, tive a grande sorte de ter ao meu lado, como companheira de trabalho e mestra, uma mulher que adorava ler e ensinar.
Norma, esse era seu nome, me apresentou à literatura, abriu para mim as portas desse mundo mágico e delicioso.
Começou me emprestando alguns livros de Monteiro Lobato.  Quando esgotamos todo o sitio do Pica Pau Amarelo, ela me apresentou José de Alencar, e depois Machado de Assis. E daí vieram Graciliano Ramos, Ligia Fagundes Telles e muitos outros autores brasileiros.
Sempre que eu terminava um livro, devolvia  a ela, que me emprestava outro imediatamente.
Durante o período da leitura - só  antes de dormir, pois eu estudava à noite depois do trabalho - ela discutia comigo o assunto, procurava saber se estava gostando, se entendia o que estava lendo.
Emprestou-me também vários autores estrangeiros, como Hemingwai, A.J. Cronin, Pearl S. Book, Aldoux Huxley, Wiliam Faulkner,  Charles Dickens e tantos outros que não me ocorrem agora.
Imagine que aos dezesseis anos eu já estava lendo Dostoyeviski, e amando!
Devo muito dessa minha alegria em ler e minha curiosidade sobre tudo, à Norma, minha grande e querida amiga.  Ela soube notar em mim uma enorme carência por alguém que me mostrasse caminhos, abrisse portas.
Minha mãe faleceu quando eu tinha apenas dez anos, portanto ela foi fundamental em minha vida.
Perdi Norma de vista quando eu tinha vinte anos e ela mudou de emprego. Foi um convite irrecusável, ela era uma executiva competente, seguiu seu caminho...
Me deixou órfã novamente, mas eu tinha meus livros, já decidia o que ler, visitava a biblioteca da emprêsa, emprestava de amigos.
E depois de casada, com meus filhos pequenos, meu relogio despertava bem antes, para que e pudesse ler tomando um cafezinho, saboreando o silêncio da casa naquelas horas calmas.
Depois de muitos e muitos anos, minha filha caçula já na universidade, encontro  um livro sobre sua escrivaninha. Era "cem anos de solidão" de Gabriel Garcia Marquez. Descobri ali um outro grande amor.
Fui arrebatada por sua loucura, seu imenso delirio, uma maneira apaixonada de contar sua terra e sua gente.
Tenho tudo sobre ele, literatura, jornalismo, biografias. Foi e tem sido um grande companheiro em minhas noites de insônia. Lembro-me que ao comprar a ultima biografia dele na livraria, abraçei o livro de encontro ao peito, a caminho do caixa, e senti um calor bem próximo ao coração. É uma grande emoção, pura magia.
Porque contei tudo isso? Porque estive vendo gibis na banca de jornal lembra-se?
Que coisa mais louca!


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Além das águas

 


Enquanto batia a roupa na tábua, na beira do rio, olhava para a outra margem, tentando adivinhar o que havia por lá.
Com a água nas canelas,  molhando o vestido que ela teimava em não enrolar como as outras,  perguntava-se o que teria depois da grande curva do rio, atrás daquela linda ponte de pedras.
Nunca saíra de sua aldeia, e à mãe perguntava sempre o que teria no fim das águas.
A mãe respondia que era o Brasil. Coitada da mãe, também nunca lhe levaram para lá, e a idéia de que o Brasil começava onde terminava o rio era tão boa, tão possível...
Quando apaixonou-se pelo rapaz mais bonito da aldeia, alto e com bigodes fartos, magro e elegante, sonhou que talvez ele a levasse até o fim do rio, depois da curva, para o Brasil.
Esses desejos de menina às vezes são atendidos, pareçe até que alguém resolve pregar uma peça.
E o seu amor partiu, soltou-se na correnteza, bem depois de onde as espumas do sabão se dissolviam, bem além da ponte de pedras,  além de onde alcançava a vista.
E ela ficou,  com água pelas canelas, muita espuma de sabão e cantorias, olhando para as bolhas que desciam calmas, rumo ao Brasil.
Ele disse que escreveria, e que um dia, quando possível, ela iria ter com ele, seriam felizes.
E assim foi feito. Como descrever o abraço na mãe, a saudade já batendo, as lágrimas engrossando o caminho molhado e sinuoso rumo ao Brasil?
Ninguém lhe disse que não ficava alí, depois da ponte, depois da curva. O grande mar, ah! ninguém avisou que havia de atravessar o grande mar, e balançar, e chorar sozinha já sufocada de saudade.
Mas ele a esperava no porto, e essa lembrança aquecia seu jovem coração.
Foi tudo perfeito. Nova vida, uma casa só sua para cuidar, filhos chegando para superar qualquer dor.
Conheci-a quando morei por um período ao lado de sua casa. Três filhas, uma excepcional, e a mais jovem brincava com meus filhos.
Contou-me sua historia e a incrível ilusão de achar que o Brasil era logo alí, onde terminava o rio.
Admirava seu bom humor e sua maneira apaixonada de gostar de morar aqui, de viver entre os brasileiros.
Nunca mais tinha voltado para sua terra, para as pessoas que deixou um dia à beira do pequeno cais.
Eu a vi chorar inumeras vezes ao relatar as coisas de sua aldeia, as falas de sua mãe, as brincadeiras de suas irmãs. Dizia que qualquer dia voltaria, mas naquela época era tudo muito dificil.
Lembrei-me hoje de Dona Julia, mulher do Sr. Fernando, que um dia deixou Portugal para casar-se com ele aqui no Brasil.
Mulher corajosa e apaixonada, que em nenhum momento sequer arrependia-se de seu ato.
Só sentia muita saudade, principalmente do rio, onde as espumas de sabão desciam tranquilas...rumo ao Brasil.



sábado, 9 de junho de 2012

Se. . . eu pudesse


Se eu pudesse parar a minha vida
e dar eternidade a um so momento
Seu nao tivesse o meu destino preso
Ao destino das coisas no espaco
Se eu pudesse mudar todas as leis
E dentro do universo que se move parar meu mundo
Haveria de escolher esse segundo
Que voce estivesse nos meus bracos...

J.G. de Araujo Jorge

Essa poesia sei de cor fazem muitos anos, tantos que me esqueci quantos.
Mas nao importa.
O poeta é esse mesmo, porque sei que é, fazem muitos anos.
Creio que desta vez nenhum anonimo me visitará para esclarecer um erro, para nossa tranquilidade, nao é mesmo Christian parceiro?

O poema é lindo, ao menos para mim.
Fui menina romantica, lia  e relia o livro de poesias que emocionava os jovens daquela epoca.
Minhas lembrancas estao envoltas em fumaca, nuvens leves, que nao me deixam ver todos os detalhes, uma pena!
Mas nunca esqueci das ilusoes, o coracao aos saltos,  em ondas no peito, os olhos ávidos procurando alguem.
Epoca de paixao contida, precisando ser freada.  Menina comportada nao devia demonstrar que estava interessada no rapaz. Nao era bem vista, nao era correto.
Mas quem disse que era proibido sonhar? e olhar com olhos ardentes? e sorrir aquele sorriso que só alguém especial merecia?
E ouvir uma musica linda, no intervalo para o lanche, no patio do colegio. E quando a musica comecava a tocar, perceber os olhos do rapaz procurando os meus, encontrando os meus...
Ah! nunca fui de respeitar muitos protocolos, sempre fui um tanto atrevida, e meu amor logo ficou sabendo que eu estava ali, esperando por um olhar, uma mao estendida.
E foi tudo tao lindo, tao perfeito.
Eu vinha de uma grande decepcao, ele também. Estavamos esperando um pelo outro, fomos preparados um para o outro, era inevitável o nosso encontro.
Nunca comemoramos o dia dos namorados mas sim o dia de nosso aniversario, 25 de junho.
E foi assim ate nos despedirmos.
Nao vou fazer dessa postagem um momento triste. Mas um momento de imensa saudade do que fomos, de nossa alegria e também de nossas tristezas. Porque a vida nao é apenas uma festa, tem periodos turbulentos, de nuvens pesadas, de tempestades.


Feliz dia dos namorados para todos que conseguem mostrar no olhar o que vai na alma.
Esse é o grande segredo.









quarta-feira, 30 de maio de 2012

Por amor?



Mulher jovem, negra e pobre.  Sua casa era a última da vila, chamada de "cortiço", no bairro humilde de maioria operária.
O marido, homem bom,  distraia-se  sentado á porta da sala, rodeado pelos quatro filhos, sempre às voltas com uma fruta para descascar ou simplesmente olhando o movimento da rua.
Trabalhava na industria, serviço pesado, e os horários eram modificados a cada semana.
Mas em cada turno de descanso, lá estava ele sentado nos degraus que levavam á porta da casa.
Pobres, a casa era pequena demais, apenas um quarto e uma sala. A cozinha e o banheiro estavam precisando de reformas, mas as despesas eram muitas, as crianças para alimentar...
No entanto os vizinhos percebiam que eram felizes. Ele tinha gênio bom e ela era uma mulher alegre, limpa, boa mãe.
Isso lá pelos anos 60, quando eu ainda era muito jovem e passava diariamente pelos fundos da vila, vendo seus quintais, indo para meu trabalho.
Ela estava sempre por ali, cedinho, estendendo as roupas no varal ou varrendo o espaço de terra batida.
Abria um sorriso para mim, um bom dia ou um comentário sobre o tempo.
Nada mais do que isso. 
O marido naquela semana estava escalado para o turno da noite, coisa corriqueira,  eles já estavam habituados.
Ela decidiu então, enquanto ele dormia durante o dia, ir com as crianças até o campo que havia ali perto.
Muitos terrenos baldios, os filhos correndo soltos enquanto ela procurava por determinada erva.
Lembrava-se que sua mãe e tia sempre diziam que um chá bem quente e forte dessa erva daria fim ao motivo de sua enorme preocupação.
Não tinha contado ao marido, para não deixa-lo apreensivo. A vida era dura, uma nova boca para alimentar não estava nos planos, ela não levaria aquela gravidez adiante.
Comentara superficialmente com uma prima. Dizia-se triste, amava os filhos que tinha, mas deveria tomar uma atitude antes que a barriga volumosa a condenasse.
Quando o marido foi para o trabalho naquela noite, ela colocou os pequenos para dormir, preparou o chá e tomou bem quente.
Deitou-se de lado e dormiu. Para sempre.
Lembro-me da dor no rosto do marido, da perplexidade dele ao saber o motivo, da impotência diante dos quatro filhos tão pequenos.
Ela que tanto queria evitar-lhe mais problemas, colocou um fim em sua alegria, seus planos e sonhos.
Pobre mãe pobre . . .
Hoje já sou avó e entendo como nunca o que aquela mulher pensava ao deitar-se depois do chá.
Claro que muitos dirão :
- quem cria quatro crianças pode criar cinco, ela errou muito ao provocar um aborto, e etc...
Eu apenas fico triste quando me lembro.  Não é ser pobre, nem negra, nem mulher o que mais me comove nessa historia.
E sim a tremenda solidão do seu ato. 



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pode vir madame!!!




Ao ler a postagem de meu amigo Fábio do "reflexões do 719R" (preciso perguntar a ele o significado desse número) me ocorreu comentar sobre o trânsito na cidade.
Na postagem do Fábio ficamos angustiados com a dificuldade dele em chegar a um compromisso por conta do trânsito insuportável de S.Paulo.
Por aqui o que me irrita é outra coisa.
Seis carros parados no farol e todos já estão stressados com "esse trãnsito maluco!".
O primeiro da fila (para não fugir à regra) é o mais lerdo. Quando dá verde, ele ainda vai engatar a primeira, soltar o freio de mão olhar pelo retrovisor, dar seta, e sair lentamente...
Até aí, tudo bem, cada um dirige como sabe, mas os que estão atrás (todos os 5!) buzinam, xingam, e o farol fecha!
Piada? não, juro que não. É assim mesmo, e isso é muito irritante.
Um motorista desses dirigindo em São Paulo já teria levado umas tantas na traseira para aprender a ficar esperto!
E os outros para aprender a não buzinar na orelha da gente.
Cidade pacata, pouco trânsito e poucas vagas para estacionar.
Então... alquém dá ré para sair de uma  vaga e e o carro que está na sua frente resolve esperar.
Tudo bem se quem está saindo da vaga realmente saísse.
Mas não, ele ainda vai guardar as coisas na bolsa, ligar o rádio, acender um cigarro, colocar o cinto de segurança (tudo com a ré engatada) baixar o freio de mão, olhar 200 vezes para ver se dá para sair, e só então  desocupar a vaga.
Nesse meio tempo, quem está aguardando o lugar já quase enfartou, e quem está atrás já enfartou!
Nas praças (cidade pequena tem praça pra caramba!) existem vagas na transversal, mas existe também aquele senhor alcoolizado, sentado com seu cachorro num banco, esperando para tomar conta do seu carro.
Voce encosta e ele encosta em você.
- pode ficar sossegada que eu olho pra madame!
Minha vontade é de rir, porque ele está cambaleando de tanto beber e não toma conta nem dele mesmo.
Função essa que seu cachorro desempenha melhor.
Mas para evitar algum desaforo eu digo que sim e vou andando. Quando volto, ele está do outro lado da praça conversando com um mendigo (rodeado de cachorros!).
Quando me vê, milagrosamente fica esperto e vem aos pulinhos. Estendo um dinheirinho, para colaborar na pinguinha dele de cada dia, e entro.
Não, não acabou! ele me ajuda a sair da vaga, parando o "trânsito" e fazendo sinais frenéticos (vem madame, vem, madame, pode vir!), para mim e para o coitado do motorista que parou no meio da rua.
Quando finalmente consigo sair ele ainda grita "obrigado madame, vai com Deus!"...
Tenho vontade de dizer a ele que se fosse madame estaria casada com um senador, dirigindo em Paris, com o carro cheio de pacotes. Mas não digo.
Tenho pena, sei que não devia, mas tenho muita pena.
Desafiei o Fábio a vir para Valinhos, onde não há trânsito,  mas ele morreria de tédio...rsrsrs